quinta-feira, 26 de maio de 2011

MINHAS DORES

Na primeira vez foi uma dor dividida.
Não que tivesse doído menos,
Mas eu podia dividi-la com outrem...
A segunda,esta,apenas eu a sinto.
Apenas eu a carrego,sem cumplicidade.
E, por ser esta dor sem partilha,
O peso da dor é insuportável,é mutilação!
Na primeira vez,chorei a 'grito aberto',
Pois muitos choraram comigo também.
Chorar junto ,pode- se não sentir menos
Mas tem-se a impressão de liberdade da dor.
Na segunda vez,só cabe a mim engolir
Este sentimento corrosivo .
A dor ,as lágrimas ,às escuras, a sós!

 Minhas dores,divididas ou não.





Pai ,afasta de mim este cálice,pai.

domingo, 15 de maio de 2011

TRAGÉDIA NO BANHEIRO

 Edna sempre foi uma moça do tipo frágil,chorona,
 ao contrário de sua irmã Adelina que,apesar de ser
 mais nova ,era mais forte em todos em sentidos e
 adorava pregar peças em sua irmã chorona.
   Edna tinha uma "cisma" com seu umbigo:Achava que
 era aberto ,que vazava e tudo mais.
  Um dia ,durante o banho,distraidamente,deixou a porta
 só encostada.Era tudo que Adelina precisava para
 mirabolar seu plano de assustar sua irmã chorona.
 Quando viu Edna examinando seu umbigo mais uma vez,
 Adelina pegou um pedaço de lençol velho e rasgou de uma
 só vez,provocando um ruído assustador no silêncio do banheiro!
  Edna ,quando ouviu o "rasgado" do lençol, começou a gritar
  deseperada,achando que tinha rasgado seu umbigo!!
  Até hoje esta história é lembrada nos encontros de família
como o dia do umbigo rasgado!

ESCANDALOSA

                 Quero ser ridiculamente rídicula.
                    Extrapolar todos os conceitos
                       sem preconceitos.
                    Chocar todas as classes
                      com classe.
                    Viver com urgência
                       sem regêngia de domínio.
                     Estar sempre à procura
                       sem clausura.
                     Deixar de ser o dormente
                             para ser a locomotiva .

sábado, 14 de maio de 2011

UM DIA DE TESTE

Acordei hoje com o astral lá embaixo.Desanimada mesmo.
Olhei-me no espelho e,pela primeira vez,vi refletida a imagem
de uma senhora. Como doeu! Senti-me muito mal. Aquela não podia ser eu.Não era eu!
Diante disso eu tinha dois caminhos a seguir:Aceitar na boa aquela senhora que queria instalar-se em mim,ou desvestí-la e reagir! Sim.Reagir!! Vestida em uma roupa provocante,escova nos cabelos,baton, rímel e coragem,fui para a rua . Será que eu ainda desperto olhares,fui pensando. Passei por um grupo de senhores que conversavam animadamente. Caprichei na rebolada e...nada! Pensei comigo: São só velhos.Já não sabem dar valor a uma mulher.Continuei com meu teste de apreciação...Agora,na porta de um banco,outro grupo de homens,menos velhos,gesticulavam nervosos à espera do atendimento. Diminui os passos enquanto passava por eles,ajeitei o cabelo e... nada! Pensei comigo ,de novo,tentando dissimular a minha decepção: Estão nervosos com a possível inflação anunciada na mídia.É isso. Carregando  o peso da indiferença,resolvi voltar para casa e vestir aquela senhora que ficara aguardando-me no espelho. Atravessei a praça da Matriz,onde estudantes namoravam alegremente. Que inveja!(inveja boa,mas inveja) De repente senti um olhar,de não mais de vinte anos, seguindo-me da cabeça aos pés.Ergui a cabeça e continuei em passos lentos. À uma distância,virei-me para confirmar o olhar e, vi a jovem namoradinha dando um doloroso "beliscão" no braço do rapaz! Foi a glória!! Cheguei em casa feliz e reconfortada por ter provocado o olhar de um jovem rapaz e,mais ainda,provocado o ciúme em uma linda estudante.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O ENIGMA DA RUA ESCURA

Pela larga avenida, já sem iluminação, caminho envolta em meus pensamentos, sentindo a neblina suave e fria a tocar-me o rosto. Deambulo vagarosamente pela rua escura,pois já não tenho pressa de chegar a lugar algum. Apenas caminho. Vultos passam à minha frente, formando silhuetas com os faróis à meia luz, sem se preocuparem com minha presença. Apenas passam. A noite escura é minha amiga. A cor da noite confunde-se com o negro da minha alma... Aos poucos o ruído dos meus passos multiplicam-se e, em meio à escuridão, posso sentir que já não caminho sozinha! Aperto o passo e o coração aperta-me no peito.
Sinto um calor atingir-me o corpo, causando -me um calafrio confortável e assustador! 
 Penso em virar-me para identificar a criatura que me acompanha, mas ,ao contrário,fecho os olhos e entrego-me àquele momento de carinho, de ternura, sob a proteção do manto da noite. A  noite,apressada,vai buscar a luz de um novo dia ,deixando em mim apenas a lembrança do enigma daquela rua escura!









Tema sugerido  "Rua escura"