quinta-feira, 31 de março de 2011

VIVA OS LOUCOS!!!!!!!

      LOUCA!!!
                VOCE É LOUCA!!!
Essas palavras soaram tão fortes que o eco delas virou concreto dentro da minha cabeça.
Por um longo tempo esse eco me fez muito mal.Me revoltava,me destruia,me deixava deprimida e eu fivava querendo provar ,a todo custo,a minha lucidez!
Desisti!
Resolvi consolidar mais ainda o concreto ja existente na minha cabeça
e assumir de vez a minha loucura!
Descobri que ser louca é viver sem compromisso de agradar ou não,de querer ou não..
É poder andar na mão ou na contra-mão. No verso ou no re-verso.
É poder ir e vir sem dar explicações,pois loucos não sabem mesmo explicar...
É poder gritar o urro mais alto e depois rir o sorriso mais 'monalisado' que só mesmo os loucos sabem fazer!
É poder cantar desafinado ,fora de qualquer ritmo estipulado pelos
ditos de boa sanidade mental!
É poder dançar sozinha com minha imaginação ,sem me importar de pisar nos calos da vida!
Bater com a cabeça na parede sem que ninguem ria de
mim ,pois terão medo da minha insanidade...
Sentar-me no chão e fazer birra até lambuzar a cara franzida de caretas e micagens...
Ou rir de alguem que passa por mim como se ouvisse a piada do ano!
Ouvir vozes !
      Este sim !
         Privilégio dos loucos!
            Dois mundos paralelos!
Conversar com as paredes e mais,ouvi-las sussurrar palavras que são exclusivas aos loucos!
Olhar a dor e sentir vontade de rir ou, ao contrário, chorar com a alegria alheia...
Ser louco é não ter a responsabilidade e a obrigação de ser feliz todos os dias.

Louca,louca,louca!!!
 É poder ir...vir...rir...repetir,sem refletir!!!


APENAS UMA CHANCE


Toc...Toc...Toc...
Algo batia à minha porta tão suavemente que eu pensei, por um momento, ser impressão minha ou apenas desejo inconsciente de receber uma visita inesperada. Parei por um instante, desconfiada! Relutava em abrir a porta.
-E se fosse uma visita indesejada?
-E se fosse mais uma dor?
-E se fosse...
Com a respiração contida e num ímpeto abri a porta!
Fiquei olhando para aquela figura e não compreendia por que aquela estranha batera à minha porta... O quê podia querer de mim?? Era totalmente diferente de tudo que eu estava acostumada a ver ao longo de minha vida. Radiante!...Linda!...Exalava um perfume de flores!... Pediu-me se podia entrar, num sorriso tímido, como se implorasse desculpas por não ter sido reconhecida de imediato! Eu a olhava e me perguntava: De onde ela me conhece?! Ela continuava ali, parada, a espera de um "por favor, entre''.
-Será que ela pretende ficar? Como conviver com uma estranha?
-E se quando eu me habituasse com sua presença, ela fosse embora, assim como chegou, numa manhã tão indiferente em meu calendário particular?
-E se eu não a deixasse entrar, como saber a diferença entre o antes e o depois de sua companhia em minha vida? Como eu demorasse a me decidir, ela pediu-me desculpas e disse que tinha mais pessoas para visitar e antes que saísse, olhou-me com pena, deixando um bilhete em minhas mãos:
''Estive em sua porta, mas você estava tão acomodada em sua tristeza que eu achei melhor não insistir!
Assinado: Felicidade.



Postado no BVIWtecendoletras

SIGO ESQUECENDO-ME DE VOCÊ

      ...  E eu esqueci-me de você ,como havia prometido a mim mesma, naquele momento de decisão entre ser feliz por uns dias ou carregar a dor de nunca ter provado a felicidade por inteira. Esqueci-me de você nas noites insones, de olhar fixo no inexistente do nada , sem sombras... Esqueci-me de você olhando os pingos e respingos da chuva na minha janela,
     que aos poucos confundiam-se com minhas lágrimas teimosas,silenciosas... Esqueci-me de você enquanto olhava as nuvens reluzentes,dançando no céu que era nosso,todo nosso...
     Esqueci-me de você nos meus sonhos,nos meus pesadelos, nas noites de estrelas, nos raios de sol,no início da primavera,nas tardes de inverno,nas madrugadas geladas,no calor do verão!
     Esqueci-me de você enquanto ouvia nossas músicas. Ah...Nossas músicas,só nossas! Com as entrelinhas que só nós sabíamos decifrar...   Dentro das minhas verdades inventadas ,eu continuo esquecendo-me de você! Sobrevivo das mentiras que eu criei para esquecer-me de você por completo! Verdades. Mentiras. Que importa! Já nem sei onde começam minhas mentiras de sobrevivência ou em que canto de mim escondo a verdade de nunca ter esquecido-me de você!!

TELAS CELESTIAIS

          Tenho pelo céu uma verdadeira adoração! Não o céu no sentido figurado,aquele que só vamos conhecer quando da nossa partida aqui da terra,mas o céu mesmo ,o teto do mundo ,este semi-círculo que nos cobre. Todos os dias quando me levanto, a primeira coisa que eu faço é olhar as novidades do céu. Fico chateada quando ele se repete. Quando as nuvens são parecidas com as de ontem.Não desisto. Procuro outro ângulo e acabo descobrindo uma forma inédita: Um floco de algodão mais gordo ou um raio avermelhado diferente ...

Nuvens negras de chuva, apesar de me darem pânico,( tenho fobia de tempestade )me fascinam também! Gosto de ficar olhando o céu se transformando .Agora de um azul infinito,logo mais um misto de amarelo,rosa ,alaranjado e até mesmo negro! Temos uma afinidade.Sei que o céu também fica à minha espera ,para exibir seus encantos,suas formas,suas cores! Quando éramos pequenas,minha irmã Alice e eu ,andávamos  com um espelho olhando o céu abaixo de nós. Fica lindo!! Agora troquei o espelho por uma digital e saio por aí à procura de telas celestiais. by Neusa Gomes


         Postado no BVIWtecendoletras

segunda-feira, 28 de março de 2011

PRESENTE DE ALICE




         SESSENTA ANOS....

           

  Sessenta anos é uma idade estranha. É a divisão entre uma coisa e outra.
É a foz serena de antigas águas revoltas. Quando os hormônios se aquietam.
Quando se faz as pazes com o espelho e se aprende com ele.


Sessenta anos mexem com a memória. É a diferença entre lembrar e recordar.
Quando o baile de debutantes se torna mais importante que as bodas de prata.
Quando as paixões são esquecidas e os amores perpetuados


Sessenta anos dão medos e risos. É quando se perde crenças e se ganha a fé.
Quando se troca a ilusão da eternidade pela esperança de viver um pouco mais.
Quando se gargalha sem vergonha de gargalhar.


Sessenta anos é a idade das descobertas. É quando se busca a pureza da água.
Quando se sabe o que dana o fígado, o que apazigua o estômago, o que são tendões.
Quando se valoriza o sono bem dormido. Quando se aprende a respirar.


Sessenta anos fazem sentir. È quando se encontra o amor companheiro.
Quando se reparte o coração em mil pedaços, entre filhos, sobrinhos e netos.
Quando se quer perto os que ainda estão e os que já se foram.


Sessenta anos é o início da verdadeira idade. É o gosto das frutas maduras.
Quando se lembra que já passou por muita coisa e ainda assim sobreviveu.
Quando se aprende que a vida se renova a cada dia,  e ainda  surpreende.


20-08-10     para Neusa


VIDA....

Hoje eu acordei com pressa de ser feliz!..Dá licença???

É FATAL...

Descobri que quando
     
           chega-se aos sessenta

                   os dias são tão longos

                         e os anos tão curtos!!!

CONTRADIÇÃO

Queria amadurecer
Como aquelas senhoras
Que eu vejo à passar
   Ser mulher-madura
   Deixar meu lado infantil
   Ajoelhar e só rezar
   
     
         Não consigo aquietar
         meus pensamentos
         nem meus movimentos
         Quero cantar e dançar


           Um dia ,quem sabe
           Eu não aguente mais
           Mas hoje ,maturidade não me cabe
           Envelhecer sim .Amadurecer jamais!!

QUEM SOU?

Hoje fechei os olhos à minha procura
Vasculhei cada canto de mim
Encontrei muitas tentando ser como eu
Achei algumas até bem parecidas comigo
Mas a mim mesma não consegui achar!

BANANAS AMASSADAS

Pego-me por várias vezes a pensar em você.
Pensamentos sem ensaios,sem preparativos.
Pensamentos estes que nos vêm sem aviso prévio e que nos dão o choque do  estalo na mente.
Entre tantos outros pensamentos ,destes feitos relâmpagos sem anúncio de chuvas,hoje me
veio um em especial!  Pegou-me de tal maneira desavisada,que nem pensou na dor que me faria,na dor que me traria,que,eu cheguei por um momento,a sair de mim prá sentir você!!
Vi você à minha frente .Ali,bem à minha frente! Olhar distraído,talvez pensando em algum poema ainda não lido ou,em um tempo não vivido ainda também! Figura frágil.De uma beleza infantil,onde o tempo insiste em não fazer ponto! Você lá. Na minha frente. Na mesma mesa! Amassando bananas no prato como quem acaricia um ente querido! Amassando lentamente como se preparasse uma argila para uma escultura sagrada!
Com tanta saudade que teima em hospedar-se dentro de mim,pego uma banana e vou amassando sem pressa,
pensando nos tempos em que dividíamos nossas conversas sobre Fernando Pessoa ,Saramago e outros poetas que nos fizeram tão iguais... Amasso as bananas como quem esmaga a saudade,a dor,o abismo da nossa separação geográfica!
Te amo muito !( e você sabe) by Neusa Gomes

PONTOS ETERNOS

              ....e suas vestes foram lançadas à sorte....!


 Foi o que ela ouviu  de sua irmã mais nova,enquanto olhava aquele amontoado de roupas
sobre a cama Daquela que partiu tão cedo,tão prematuramente!
No silêncio daquele quarto ainda tinha o perfume Dela.O calor Dela ainda emanado na parede junto com
seus quadros ,que agora,observavam a tudo como se reclamassem sua ausência.
Na penteadeira(que nos traz tantas recordações) os ''Bibelôs'',antigas relíquias,ganhadas em datas especiais.
O guarda roupas de madeira,com espelho ,que por tantas vezes refletiram seus sonhos de eterna menina..
Tudo naquele quarto ,agora privado de sua presença,era a imagem Dela! -Como pode um quarto continuar a existir sem a presença de sua Dona???
Pensando assim ,foi feita a 'delegação dos bens'
O jogo de quarto para a vizinha que ajudara durante a enfermidade...
Vestidos vazios para quem coubessem melhor...
E ela ,ela que observava a tudo ,sem coragem de argumentar,com nó que lhe paralisava os sentidos, escolheu uma blusa de mangas longas ,feita em croche. Aquela não era uma simples peça de roupa.Tinha as mãos Dela ali! Ponto a ponto .Em cada ponto um pensamento!Em cada pensamento um sonho...
Como se fosse um livro com várias páginas de amor e carinho! Abraçada àquela blusa ,ela saiu do quarto para chorar sozinha a falta Daquelas mãos que ficaram eternizadas nos pontos da saudade! by Neusa

O TIRO QUE SAIU PELA CULATRA

Lendo a ''mini-série'' O Defunto Sumiu, da Adelina, lembrei-me de um fato um tanto quanto traumático na minha infância mas que não deixa de ser engraçado.
Quando pequena eu era uma menina que não tinha medo de nada,aliás, quase nada..  mas de defunto...pelo amor de Deus,eu tinha verdadeiro pânico!!!
Minhas irmãs,mais velhas que eu,tinham outros medos. Sempre que elas iam se deitar,elas davam um pulo,lá de longe da porta ,com medo que alguem lhes puxassem os pés por baixo da cama.
Sabendo desses medos ,prá mim incabíveis,já que eu só tinha medo de morto,resolvi assustá-las!
Deitei-me debaixo da cama,bem lá no fundo e fiquei esperando que elas viessem se deitar e assim eu agarraria as pernas delas...
Fiquei lá quietinha,já antegozando minha arte! Ficava imaginando os gritos de terror que elas dariam e a bronca que levariam por tamanha infantilidade!!
O tempo foi passando e nada....Eu lá.Embaixo da cama!
Em casa todo mundo dormia tarde e como eu era a última prá entrar em casa ,ninguem sentiu minha falta!
Passa o tempo...veio o sono e eu dormi embaixo da cama!
De madrugada eu acordei e não sabia onde eu estava!!Tudo escuro!
Tentei me levantar e bati a cabeça no estrado da cama!!
Que lugar é este,meu Deus??Será que eu morri e estou dentro do caixão???Virei defunto?? Até gelada parecia que já estava!!!!
Comecei a gritar desesperada!Acordei todo mundo!!
Minhas irmãs,assustadas ,queriam saber o que eu fazia embaixo da cama.
Quando eu contei meu plano ''infalível','elas riram tanto de mim que eu cheguei a passar mal...
O tiro saiu pela culatra!! Nunca mais!!!

UM CERTO CORTE DE CABELO

Tinha eu dez ou onze anos quando decidi que queria cortar meu cabelo em casa e nao no barbeiro como sempre fazia.Isso mesmo,como eu era meio moleque e minha mãe levava meu irmão no barbeiro ,ela me lavava tambem.Mas desta vez eu estava decidida .Queria que minha irmã Adelina cortasse meu cabelo! Eu achava minha irmã um símbolo de moça bonita!Era vaidosa! Passava horas em frente ao espelho fazendo penteados diferentes e ,claro, penteados de menina,coisa que eu nao conhecia.
Meu cabelo era quadradinho,com franjinha.Sem graça nenhuma.
Por isso coloquei toda minha esperança de ficar bonita nas mãos de minha irmã!
Ela mandou que eu me sentasse na beirada da cama da minha mãe que ficava quase em frente da penteadeira(AH,QUANTA SAUDADE DESTA PENTEADEIRA!!) Fiquei imóvel,com os olhos fechados, esperando a primeira tesourada.De repente,abri os olhos e gritei PARA!Não quero mais cortar o cabelo! Tarde demais. Minha ja tinha cortado um lado do meu cabelo. Olhei no espelho e nao gostei daquele corte.Claro que nao podia gostar.O cabelo tava cortado só de um lado.
Minha irmã implorava para acabar de cortar o outro lado mas eu nao deixava. Ela explicava que ainda não tinha acabado e que eu ia ficar bonitinha mas eu não queria saber. Comecei a chorar e saí correndo com o cabelo a ''meio corte''. Usava os cabelos atrás das orelhas prá ninguem ver o estrago .
Quando passei a me ver como ''gente'' ,senti um remorso muito grande do que tinha feito à minha irmã Adelina. Sei que ela já me perdoou mas não me esqueço desse dia .Tudo que eu queria era ficar com cara de moça  bonita igual a dela! Ná,desculpa,tá?       Neusa


Não era linda mesmo minha irmã? Ai, que inveja que eu tinha!!         

AS BOLHAS DA SAUDADE

 

Queria que o meu primeiro texto fosse uma lembrança ou uma saudade.Juntei as duas coisas:
 Já há algum tempo fomos minha irmã Alice e eu passear na casa de outra irmã em Arapongas. Chegamos já de noite na rodoviária e a distância pra se andar a pé era meio longa até chegarmos na casa de nossa irmã Edna.Passamos por toda avenida  conversando e matando a saudade de nossa Terra.
Eu usava umas sandálias abertas(nem me lembro a cor ou modelo)mas eram bastante confortáveis nos pés. Minha irmã Alice usava sapatos fechados(Estes eu me lembro bem.Eram pretos.)Depois de andarmos mais de dez quarteirões ,os sapatos da Alice lhes causaram bolhas enormes nos pés! Ela mancava sem reclamar!Quando percebi o estado em que se achavam seus pés,fiquei com muita dó,dó mesmo!!Então fiz uma proposta a ela de trocarmos de calçado,já que minhas sandálias eram abertas e confotáveis...Trocamos!   Os sapatos dela ,realmente,eram SUPER APERTADOS e,claro,encheram meus pés de bolhas tambem.Eu disfarçava pois nao queria desfazer a troca para que minha irmã não tivesse os pés mais machucados ainda! Só quando chegamos na casa de nossa irmã foi que Alice viu as minhas bolhas ,que a esta altura ja eram maiores que as delas!
 Rimos bastante das nossas bolhas! Mas o que faz com que eu me lembre sempre dsse fato foi o que minha irmã Alice me falou:
 ''PROVA DE AMOR É ALIVIAR AS BOLHAS DA IRMÃ SEM SE IMPORTAR COM AS PRÓPRIAS BOLHAS!!''
 Não é lindo? Se eu pudesse aliviar todas as bolhas eu calçaria teus sapatos todos os dias,Alice!!!   Neusa

quinta-feira, 24 de março de 2011